Advogados e agentes da Guarda de Vila Velha são presos em operação contra o tráfico de drogas
26/03/2026
(Foto: Reprodução) Advogados e agentes da Guarda de Vila Velha são presos em operação contra o tráfico
Três advogados e três guardas municipais de Vila Velha, na Grande Vitória, suspeitos de repassar ordens de dentro de presídio e de envolvimento com desvio e tráfico de drogas, foram presos durante uma operação em três cidades do Espírito Santo.
Outros dois suspeitos também foram detidos, mas informações sobre eles não foram divulgadas. As prisões são temporárias e foram realizadas entre a quarta-feira (25) e a manhã desta quinta-feira (26) durante a terceira fase da Operação Telic.
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O agente municipal Iuri Silva, que chegou a ser comandante da Guarda de Vila Velha no ano de 2020, e a esposa dele, a advogada criminalista Bárbara Bastos, estão entre os presos. O casal já tinha sido alvo de um mandado de busca e apreensão em agosto do ano passado, na primeira fase da operação.
Os outros dois guardas municipais presos são Renato Alexandre Messias e Antônio Nelio Jubini. O g1 não conseguiu localizar a defesa dos investigados.
Também foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Vila Velha, Cariacica e Serra, todos municípios da Grande Vitória. Celulares e bilhetes manuscritos ou ditados por detentos e redigidos por advogados foram localizados.
A operação, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Espírito Santo(MPES), é mais um desdobramento de uma investigação que tem o objetivo de identificar a atuação de integrantes da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
A região enfrenta intensa disputa de território por facções criminosas nos últimos meses, com ataques a tiros e mortes registradas.
Entre fevereiro e março, pelo menos dez assassinatos foram registrados na Grande Terra Vermelha, região que reúne 21 bairros e cerca de 200 mil moradores.
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O guarda municipal Iuri Silva e a esposa dele, a advogada criminalista Bárbara Bastos, presos em operação deflagrada no Espírito Santo.
Reprodução
‘Catuques’ e drogas desviadas de apreensões
De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo, o aprofundamento das investigações comprovou vínculos entre investigados, advogados e servidores públicos, o que pode caracterizar violação de sigilo funcional e cooperação ilícita em diligências policiais.
A investigação revelou que Cleuton Gomes Pereira, o "Frajola", emite ordens de dentro da penitenciária de segurança máxima em que está preso por meio de bilhetes conhecidos popularmente como "catuques".
As ordens repassadas por familiares e advogados seriam para a realização de ataques a tiros, a fim de matar rivais, e cumpridas por integrantes em liberdade.
Ainda segundo o MPES, como contrapartida ao desvio de função pública, os agentes municipais estariam envolvidos com o tráfico de entorpecentes, vendendo drogas que tinham sido apreendidas pela polícia e também desviando dinheiro e materiais sob a responsabilidade deles.
Cleuton Gomes Pereira, o "Frajola", estaria emitindo ordens de dentro da penitenciária de segurança máxima em que está preso, no Espírito Santo.
Reprodução
Prisões
A terceira fase da Operação Telic foi realizada pelo Gaeco, com apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, da Polícia Militar do Espírito Santo e da Secretaria de Justiça (Sejus).
As buscas e apreensões foram acompanhadas por representantes da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/ES) e da Corregedoria da Guarda Municipal de Vila Velha, em cumprimento à decisão da 7ª Vara Criminal de Vila Velha.
Procurada, a Comissão de Prerrogativas da OAB-ES informou que acompanhou o caso, com o objetivo de assegurar o pleno respeito às prerrogativas da advocacia e à preservação do Estado Democrático de Direito. Como o processo corre em sigilo, não é possível divulgar outras informações.
A Ordem reafirmou "seu compromisso com a ética, a legalidade e o zelo pela atuação responsável dos advogados e advogadas capixabas".
Já a Prefeitura de Vila Velha disse que a Corregedoria da Guarda Municipal está acompanhando o caso e a Guarda irá colaborar no que for necessário.
Advogados e guardas municipais são presos durante operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra o tráfico de drogas no Espírito Santo
Divulgação/MPES
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